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Apartamento

Teu contacto sem peruca nem truque
Sem silicone nem outros afins
Apartamento da frase, da palavra, da letra
Apartamento de presença da cachaça cerebral
Do ópio, do ócio, da óbice no paleio
De imprecisão ou não

[Dás-me um cigarro dos teus?]
Sem cacha, manha ou trama
Estar aqui somente ao degelo
de nada dizer, fazer
somente com comer teu estar cá
e beber outra garrafa de ‘gin’ delinquente

[E lume já agora…]
Sentir, ser e depois coser
O mundo em retalhos
na epiderme descalça dos pés ermíssimos

Fumar num bafo teu hálito
Colando a boca no silêncio e no omisso
Moscando-se o apartamento no delito.

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