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16h34 e 15segundos, a p e r s o n a g e m ainda se encontra no corredor vazio. Olha para a esquerda, depois para à direita. Não há viva a l m a que apareça ou desapareça.
Deixa-se escorregar, encostada com as costas no muro, fazendo com que a borracha da sola dos ténis chiam no chão, lentamente, até bater com o traseiro. “ – Não posso ficar aqui e t e r n a m e n t e.”; pensa. Mas para onde ir? Lisboa àquela hora era aborrecida. Sem m o v i m e n t o. Sem história. Dói-lhe a barriga. Sente um escasso líquido quente a molhar-lhe a roupa interior. Tapa a cara com ambas as mãos e apercebe-se, mesmo sem procurar, que, não tinha um único tampão perdido algures na mala. Então deixa-se, s i m p l e s m e n t e, ficar. Ali. Imaginando uma mancha escarlate expandindo-se entre as suas fracas e magras pernas.

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